AO VIVO , Governo Lula descarta escalar crise com Trump por Flávio Bolsonaro; siga

Mais cedo, o presidente dos EUA voltou a falar das eleições brasileiras um dia após Flávio Bolsonaro chegar aos EUA e divulgar carta se dizendo "líder" do Brasil. Vitória de Lula foi amplamente reconhecida pela Justiça e líderes políticos.

Pontos-chave

Cobertura ao Vivo

Por Marina Rossi, Leandro Prazeres, Vinicius Mendes, Thais Carrança, Mariana Schreiber, Rute Pina, Mariana Alvim, Julia Braun, Giulia Granchi e Daniel Gallas, da BBC News Brasil em São Paulo, Brasília e Londres.

  1. 'Trabalhadores, não tenham medo': presidente do TST se pronuncia sobre casos de assédio eleitoral

    Vieira de Mello Filho

    O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Vieira de Mello Filho, declarou hoje que empresários que praticarem assédio eleitoral e demitirem funcionários por questões políticas sofrerão consequências "graves" e "severas".

    A fala veio após publicações feitas por políticos e influenciadores de direita sobre um possível boicote a trabalhadores e profissionais que ajudaram a reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    “A resposta para aqueles que cometeram essa ilegalidade será dura, rápida e ágil. Não vamos aceitar que o princípio democrático seja ferido dessa forma com tanta desfaçatez”, disse Mello Filho.

    Segundo dados do Ministério Público do Trabalho (MPT), foram registradas 3.290 denúncias de assédio eleitoral durante o período eleitoral em todo o país. Desse total, 1.353 foram contabilizadas desde segunda-feira (26), após o segundo turno, o que representa mais de 40% do número total de denúncias recebidas em 2026.

    O ministro Mello Filho disse também que empresários poderão sofrer consequências como restrições de financiamento e até com inclusão em uma nova "lista suja" de empresas que praticam o assédio eleitoral.

    "Trabalhadores, não tenham medo. Quem tem que ter medo são os empregadores que violarem a lei", disse o ministro antes de encerrar a sessão do TST nesta quinta. Denúncias podem ser feitas ao MPT.

  2. Como Trump vai de fato lidar com as declarações de Flávio Bolsonaro sobre o Brasil?

    Trump

    Anda não está claro se o governo Trump irá chancelar a autoproclamação de Flávio Bolsonaro como "líder do Brasil" e sua intenção de "liderar a oposição" a partir dos EUA, conforme o senador disse na carta publicada na quarta-feira.

    Ao ser questionado sobre o teor da carta de Flávio, o presidente americano repetiu que não iria se envolver. Hoje, quando um repórter perguntou quem, na sua opinião, era o legítimo vencedor da eleição brasileira, Trump disse mais uma vez que não iria comentar, mas que achava que a eleição havia sido "uma grande vergonha para o povo brasileiro".

    Dentro do governo americano, duas alas disputam a atenção de Trump quando o assunto é Brasil, uma mais pragmática, e outra mais ideológica, liderada por Rubio.

    "Não duvido nada que já tenha o dedo do Rubio orientando essa movimentação nos bastidores para transformar Flávio em um trunfo de pressão e criar um atrito direto e calculado com o governo brasileiro", diz à BBC News Brasil o professor de relações internacionais Carlos Gustavo Poggio, da universidade Berea College, no Estado do Kentucky.

    Mas a especialista em relações bilaterais Bruna Santos, diretora do Brazil Program no think tank Inter-American Dialogue, em Washington, avalia que é "difícil" haver algum reconhecimento efetivo pelo governo Trump sobre Flávio.

    "É difícil sustentar internacionalmente uma reivindicação de legitimidade presidencial que não encontra respaldo entre os próprios aliados políticos no país. Seria um erro o Departamento de Estado não fazer essa distinção", observa Santos.Leia aqui a reportagem completa de Alessandra Corrêa, de Washington para a BBC News Brasil

  3. Governo Lula descarta escalar crise com Trump por Flávio Bolsonaro, A avaliação é de auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ouvidos pela BBC News Brasil em caráter reservado.

    A possibilidade de que auxiliares do presidente Donald Trump teriam providenciado o avião que transportou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e sua família da Argentina aos EUA, na quarta-feira (28/10), apontada pelo jornal The New York Times, não deverá mudar a postura do governo brasileiro em relação ao governo norte-americano sobre o assunto.

    A avaliação é de auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ouvidos pela BBC News Brasil em caráter reservado. Segundo reportagem publicada pelo The New York Times, o assessor de Trump, Jason Miller, teria fornecido jato privado que saiu de Puerto Iguazu a Miami, levando a família de Flávio aos EUA.

    Jason Miller é um dos principais assessores de Trump e é aliado da família Bolsonaro. Segundo auxiliares do presidente Lula, a ideia, por ora, é que Lula não se manifeste publicamente sobre o assunto e nem faça questionamentos às autoridades norte-americanas sobre a ida de Flávio aos EUA, que receberam o senador e sua família oferecendo um visto.

    Trump, no início da semana, chegou a afirmar que teria dado autorização para a chegada da família do senador.

    Na avaliação de auxiliares de Lula, o governo ainda estaria calibrando de que forma irá responder ao episódio, mas a ideia seria não fazer do acolhimento norte-americano a Flávio um problema na relação já tensionada com o governo Trump.

    Na mira da administração petista estariam outras questões consideradas mais prioritárias como as negociações sobre o tarifaço norte-americano a produtos brasileiros imposto pelo governo dos EUA.

    O governo também aguarda o resultado das eleições parlamentares de meio de mandato, nesta semana, que pode definir se os republicanos irão ou não perder o comando do Senado e da Câmara dos Deputados norte-americanas. Se os republicanos perderem uma das duas casas, o entendimento do governo Lula é de que Trump ficaria parcialmente fragilizado.

    Por outro lado, a avaliação com relação à possível participação do governo argentino, liderado por Javier Milei, é de que a viagem de Flávio passando pelo território do país vizinho deteriorou ainda mais as relações com Buenos Aires.

    Até o momento, o governo ainda não se manifestou publicamente sobre a possível ajuda do governo Milei na viagem de Flávio, mas auxiliares do presidente Lula dizem acreditar que o episódio afasta ainda mais a possibilidade de uma normalização com a Argentina.

    Atualmente, os dois países estão sem embaixadores atuando regularmente nos dois países devido a desentendimentos recentes entre os dois governos.

  4. Após visita a Bolsonaro, Valdemar diz que nem o ex-presidente sabia do plano de Flávio

    Valdemar da Costa Neto

    Após visitar Jair Bolsonaro em Brasília, o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, disse que nem o ex-presidente sabia do plano de Flávio de sair do Brasil.

    O candidato derrotado na eleição visitou o pai, preso em prisão domiciliar, na segunda-feira pós-eleição. Na terça, ele deixou o Brasil rumo aos EUA.

    "Ele veio ver o pai, nem o Bolsonaro sabia que ele ia", declarou Valdemar.

    O presidente do PL também disse que "ninguém aprovou a carta" em que Flávio disse ser "líder" do Brasil.

    "Queremos tocar o país para frente", afirmou.

  5. Os erros da campanha de Flávio Bolsonaro no segundo turno, segundo analistas

    Flávio Bolsonaro

    Consultamos analistas políticos para quais foram os principais os erros da campanha de Flávio Bolsonaro que levaram à derrota no segundo turno. Isso depois de ele sair na frente durante a primeira volta com 47% dos votos...

    Estes são alguns pontos elencados:

    • A campanha achou que a eleição já "estava ganha" com o resultado do primeiro turno, com pessoas já querendo "montar gabinete" nos bastidores.
    • Postura arrogante e debochada nos debates com Lula, como a declaração sobre "nove dedos".
    • E o próprio "teto de vidro" do candidato, diante das investigações contra ele.
  6. Casa Branca organizou voo para Flávio ir aos EUA, diz NYT

    Miller já se encontrou com família Bolsonaro no Brasil
    Legenda da foto, Miller já se encontrou com família Bolsonaro no Brasil

    O voo que levou o candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) para os EUA foi organizado por um funcionário da Casa Branca, segundo reportagem do jornal americano New York Times (NYT).

    Citando como fonte uma pessoa "familiarizada com a operação", o jornal relata que o responsável por organizar a viagem de avião foi Jason Miller, integrante da equipe de comunicação da Casa Branca.

    Miller é próximo da família Bolsonaro e conhecido pelas autoridades no Brasil.

    Em 2021, ele passou alguns dias em Brasília para promover sua rede social GETTR, voltada para representantes da direita global, e para participar da Conferência da Ação Política Conservadora, organizada por Eduardo Bolsonaro.

    Quando deixava o país, Miller foi conduzido à sala da Polícia Federal no Aeroporto de Brasília para ser ouvido no âmbito do inquérito das fake news, sob o comando do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

    Após voltar aos EUA, ele afirmou que o STF é uma "mistura de Departamento de Justiça com FBI e tudo o mais" e chamou os agentes da Polícia Federal que atuam nos inquéritos do STF de "gestapo", a polícia secreta da Alemanha Nazista.

    Ainda segundo o NYT, citando fontes anônimas do governo americano, Flávio e sua família receberam ao chegar nos EUA um status migratório temporário (chamado lá de parole status) concedido após determinações de Trump.

    É esperado que Flávio receba posteriormente um green card, oficializando uma residência permanente, num processo rápido parecido ao que ocorreu com seu irmão Eduardo Bolsonaro, que vive no Texas desde 2025 após deixar o Brasil para tentar sanções nos EUA contra autoridades do país.

    Em resposta ao jornal, o Departamento de Segurança Interna dos EUA afirmou apenas que Bolsonaro e sua família “foram recebidos e submetidos à inspeção da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP), em conformidade com as leis e os procedimentos migratórios aplicáveis. Ao término da inspeção, Bolsonaro e os familiares que o acompanhavam foram liberados”.

  7. As propostas do presidente Lula para o seu quarto mandato

    Lula

    No dia 5 de janeiro de 2027, Lula começa seu quarto mandato presidencial, após uma virada inédita em um pleito eleitoral.

    Mas a vitória não elimina os desafios políticos e econômicos que Lula terá pela frente. O presidente precisará negociar com um Congresso de oposição fortalecida para avançar em sua agenda, além de lidar com a pressão por um ajuste nas contas públicas, o custo de vida e o endividamento dos brasileiros, em um cenário de desaceleração econômica previsto para 2027.

    Entre as propostas apresentadas por Lula estão medidas para renegociar dívidas, valorizar o salário mínimo, ampliar o acesso à saúde e à educação, combater o crime organizado e fortalecer a atuação internacional do Brasil.

    Veja nesta reportagem as principais propostas de Lula, organizadas em oito temas.

  8. Posts no X confundem horários das urnas para insinuar 'virada após as 17h', Publicações confundem resultados do dia inteiro de seções encerradas mais tarde com votos registrados após as 17h

    A BBC News Brasil identificou que estão circulando no X publicações com milhares de curtidas que usam um relatório sobre dados eleitorais para insinuar que Flávio Bolsonaro estava vencendo às 17h e que Lula virou o resultado nas urnas que fecharam mais tarde.

    A comparação, porém, considera o resultado do dia inteiro de cada urna, agrupando as seções pelo horário de encerramento. Uma urna encerrada às 17h05, por exemplo, pode ter recebido quase todos os votos antes das 17h.

    A vantagem de um candidato nesse conjunto de seções não mostra quem estava vencendo no país naquele horário.

    Em levantamento próprio, a BBC News Brasil analisou os registros de operações das urnas e identificou 33.866 votos para presidente efetivamente registrados após as 17h.

    Posteriormente, o TSE informou um total de 34.393 votos nesse período. Mesmo que todos fossem destinados a Lula, seriam insuficientes para reverter a diferença de mais de 4,4 milhões de votos entre os candidatos.

  9. Governo Milei justifica passagem de Flávio Bolsonaro pela Argentina: 'Não havia impedimento da Interpol'

    Diego Santilli

    Na Argentina, o chefe de gabinete do presidente Javier Milei, Diego Santilli, quebrou o silêncio sobre a passagem de Flávio Bolsonaro pelo país antes de ir aos EUA:

    “Entrou e saiu da Argentina porque não havia impedimento da Interpol”, disse Santilli, segundo o jornal argentino Clarín.

    “Como informou a Direção de Migrações, ele entrou com a documentação correspondente, em conformidade com as regras, e posteriormente saiu de avião, também nas mesmas condições.”

    Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio, a esposa e as duas filhas entraram na Argentina às 22h50 da terça-feira, no horário local, por Puerto Iguazú, do outro lado da fronteira de Foz do Iguaçu.

    Às 23h30 do horário local, a família teria embarcado em um voo privado da companhia Baires Fly S.A. com destino a Guayaquil, no Equador, conforme o plano de voo, também segundo o governo argentino. De lá, seguiu para Miami.

  10. Aliado atribui à IA erros de carta de Flávio Bolsonaro

    O influenciador Paulo Figueiredo, aliado de Flávio Bolsonaro, publicou uma justificativa sobre as diferentes versões da carta do senador divulgada ontem. Foi ele que publicou no X a primeira versão do documento.

    Figueiredo explica que o primeiro erro, o brasão antigo em que se lê "Estados Unidos do Brazil", foi inserido pelo ChatGPT. "Mas nós achamos muito engraçado", disse.

    O segundo erro também foi atribuído à inteligência artificial: o influenciador afirmou que a ferramenta teria adicionado uma versão anterior em que o senador se apresentava como "presidente eleito".

    "Como vocês devem imaginar, uma carta que expressa uma realidade tão complexa passa por várias versões, com a contribuição intelectual de mais de uma pessoa", afirma.

    "A versão final fala em 'verdadeiro líder' por duas razões. Primeiro, porque descreve com mais precisão a situação jurídica. Segundo, porque liderança carrega um valor MORAL, que traduz o sentido desejado pelo Flávio."

    Apesar das versões distintas, Figueiredo diz que todas expressam que o senador não reconhece o resultado do segundo turno e "continuará lutando para restaurar a democracia no Brasil".

    O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, reconheceu a vitória de Lula, assim como os partidos de oposição, entre eles o próprio PL de Flávio Bolsonaro, e vários líderes internacionais que parabenizaram o petista pelo resultado.

    Missões internacionais de observação que acompanharam o segundo turno da eleição avaliaram que a votação e a apuração transcorreram com normalidade e elogiaram a capacidade técnica da Justiça Eleitoral.

  11. Trump diz que não tomou partido na eleição a pedido de Lula, mas volta a criticar o pleito: 'Vergonhoso'

    Trump

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse há pouco que não tomou partido nas eleições brasileiras a pedido do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O americano, porém, voltou a criticar o pleito, chamando-o de "vergonhoso".

    "O presidente em exercício me pediu para não tomar partido. Eu não tomei partido. Mas, quando vejo o que aconteceu no Brasil... Bem, o mercado fala por si. (...) O mercado despencou. Achei que foi uma situação muito vergonhosa para o Brasil", declarou Trump.

    "Não quero comentar sobre isso agora, mas achei que a eleição foi um enorme constrangimento para o povo brasileiro... Achei que foi uma situação muito vergonhosa para o Brasil."

  12. Vice de Flávio faz vídeo em defesa da ida do senador aos EUA: 'É fácil criticar'

    Alfrego Gaspar e Flavio BOlsonaro

    O deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa com Flávio Bolsonaro, postou um vídeo com justificativas para a ida do senador aos EUA.

    Gaspar disse que "é fácil criticar" a decisão de Flávio, mas defende que a família Bolsonaro é alvo de perseguição.

    "O que eles queriam, Flávio, era te jogar na jaula do crime organizado. E a sua segurança? E a segurança da sua família?", defendeu Gaspar, argumentando que Flávio "vivenciou dias difíceis".

  13. Quem são os líderes políticos citados por Flávio Bolsonaro em carta?

    Flávio Bolsonaro mencionou Rui Barbosa, De Gaulle e Juan Guaidó em sua carta após chegar aos EUA

    Na carta que divulgou, Flávio Bolsonaro fez referências a diversas personalidades históricas que precisaram liderar do exterior uma oposição a um governo.

    O senador mencionou o brasileiro Rui Barbosa, o francês Charles de Gaulle, o cubano José Marti, além dos venezuelanos Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado.

    Mas quem são essas personalidades?Rui Barbosa: famoso por sua defesa da Constituição, das liberdades civis e do Estado de Direito

    Charles de Gaulle: uma das figuras mais importantes da resistência ao nazismo durante a Segunda Guerra Mundial.

    José Martí: principal herói da luta pela independência de Cuba.

    Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado: opositores a Maduro na Venezuela; Guaidó se autodeclarou presidente.

  14. 'Não gostei', diz Valdemar sobre carta de Flávio

    Luciano Zuco, Tarcísio de Freitas. Flávio, Sergio Moro e Valdemar

    O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse na manhã de hoje não ter gostado da carta que Flávio Bolsonaro publicou ontem nas redes sociais.

    Na carta, Flávio se refere a si mesmo como "líder do Brasil" e afirma, sem apresentar provas, que "houve uma fraude eleitoral" no segundo turno.

    "Não gostei", disse Valdemar, ao ser perguntado por jornalistas sobre o teor da carta, segundo a imprensa noticiou. Valdemar estava a caminho de uma visita a Jair Bolsonaro, preso em regime domiciliar.

  15. STF arquiva mais cinco investigações ligadas ao Inquérito das Fake News

    STF

    O presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, determinou o arquivamento de cinco investigações vinculadas ao Inquérito das Fake News.

    As decisões atendem às manifestações da Procuradoria-Geral da República (PGR), que considerou inviável o prosseguimento das investigações por ausência de provas ou porque já havia transcorrido o prazo legal para que determinado crime fosse punido.

    As investigações encerradas abrangem o presidente do Partido da Causa Operária, Rui Costa Pimenta; o ex-ministro da Justiça Gilson Machado; o deputado estadual por Santa Catarina Alex Brasil (PL); e Flávia Cordeiro Magalhães. Também foi encerrada uma investigação envolvendo publicações em um grupo no aplicativo de mensagens Telegram.

    Fachin tirou o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito (mantendo com ele apenas as ações penais já instauradas), em meio a uma crise institucional na Corte deflagrada após Moraes incluir o ministro André Mendonça na investigação.

    Quando assumiu a relatoria, Fachin disse que sua meta é finalizar e encerrar o inquérito (aberto originalmente em 2019 sob a gestão de Dias Toffoli).

  16. PL teve votação expressiva, elegendo inclusive Michelle, Carlos e Jair Renan Bolsonaro

    Senado Federal

    Desde o domingo (25/10), quando a contagem dos votos já dava vitória a Lula, Flávio vem contestando a lisura do processo eleitoral.

    No segundo turno, Flávio teve 59,8 milhões de votos. O TSE registrou 34.393 votos após as 17h em território nacional, algo muito próximo dos 33.866 votos identificados pelo levantamento da BBC News Brasil.

    No mesmo pleito, Carlos Bolsonaro, irmão de Flávio, e Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e esposa de Jair, foram eleitos senadores, por Santa Catarina e pelo Distrito Federal, respectivamente.

    Além deles, Jair Renan, irmão por parte de pai de Flávio, Carlos e Eduardo, foi eleito deputado federal, também por Santa Catarina.

    O PL, sigla que abriga toda a família Bolsonaro, terá a maior bancada do Senado a partir de 2027, com 29 parlamentares, e liderará a representação na Câmara, com 121 deputados.

    O partido também elegeu seis governadores para 2027.

    Neste cenário, missões internacionais de observação que acompanharam o segundo turno avaliaram que a votação e a apuração transcorreram com normalidade e elogiaram a capacidade técnica da Justiça Eleitoral.

  17. Derrota de Flávio Bolsonaro é um grande golpe para Trump e sua onda de direita na América Latina, diz Guardian, Texto afirma que a vitória de Flávio deveria representar o auge da chamada “onda laranja”, expressão usada pelo jornal para descrever uma sequência de vitórias eleitorais da direita na região

    The Guardian

    A derrota de Flávio na eleição presidencial brasileira representa um grande golpe para Donald Trump e sua estratégia de ampliar a influência dos Estados Unidos sobre a América Latina, afirma o jornal britânico The Guardian em reportagem publicada hoje.

    O texto afirma que uma eventual vitória de Flávio deveria representar o auge da chamada “onda laranja”, expressão usada pelo jornal para descrever uma sequência de vitórias eleitorais da direita na região, associadas à influência do presidente americano.

    Assim, o Brasil se juntaria a países como Argentina, Chile, Colômbia e Bolívia na órbita política de Trump. Mas os eleitores brasileiros frustraram esses planos.

    O jornal ouviu Benjamin Gedan, diretor do programa de América Latina do Stimson Center e ex-assessor da Casa Branca, que classificou a derrota de Flávio como um revés significativo para a estratégia regional de Trump.

    Segundo ele, as vitórias de aliados do presidente americano em diferentes países haviam criado a impressão de que Trump conseguia determinar os resultados políticos na América Latina. A derrota no Brasil contraria essa imagem.

    O Guardian também destaca a reação na China, onde Hu Xijin, um influente propagandista ligado a Pequim, comemorou o resultado e afirmou que Lula havia frustrado a tentativa de Trump de colocar o maior país da América do Sul sob sua influência.

    A reportagem também analisa o futuro da relação entre Trump e Flávio Bolsonaro. Michael Paarlberg, ex-assessor de Bernie Sanders para assuntos latino-americanos, afirmou ao jornal que Trump costuma abandonar aliados políticos derrotados.

    “Uma das boas qualidades de Trump, e digo isso sinceramente, embora pareça irônico, é que ele consegue farejar um perdedor e quer estar perto dos vencedores”, disse.

    Ele acrescentou que, quando o “cheiro de derrota” começa a pairar sobre seus aliados, Trump tende a abandoná-los".

    O jornal destaca que, apesar das críticas de Trump à eleição brasileira e da pressão de aliados como Steve Bannon, que defendeu o rompimento das relações diplomáticas e comerciais com o Brasil, especialistas consideram possível uma aproximação entre os dois presidentes.

  18. Qual o futuro do bolsonarismo após Flávio Bolsonaro ir para os EUA?

    Flávio Boslonaro

    A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil para os Estados Unidos, após ser derrotado na eleição presidencial para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deixa em aberto o futuro do bolsonarismo.

    Na quarta-feira (28/10), o candidato derrotado divulgou um primeiro pronunciamento escrito, em sua conta na rede social X, em que se autodeclarava "o verdadeiro presidente do Brasil" e dizia que houve "fraude eleitoral", sem apresentar provas.

    Depois, apagou essa manifestação e publicou uma outra, quase idêntica, reafirmando a suposta fraude, mas se declarando "o líder do Brasil" em vez de "o verdadeiro presidente".

    Flávio Bolsonaro disse ainda que vai liderar a oposição a Lula dos Estados Unidos.

    Analistas políticos, porém, são céticos sobre a capacidade de Flávio Bolsonaro liderar a oposição e o movimento bolsonarista de fora do país, ao lado de seu irmão, Eduardo Bolsonaro (PL), que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025.

    Qual o futuro do bolsonarismo com Flávio Bolsonaro fora do Brasil?Leia aqui na nossa reportagem

  19. Ramagem, que também deixou o país descumprindo ordens do STF, publica foto com Flávio nos EUA

    Alexandre Ramagem e Flávio Bolsonaro

    O ex-deputado federal, Alexandre Ramagem (PL-RJ), publicou em sua conta no Instagram uma foto com Flávio.

    Ramagem foi diretor da Abin no governo de Jair Bolsonaro e também foi condenado pelo STF a 16 anos e 1 mês de prisão por participação em uma tentativa de golpe de Estado.

    Em setembro de 2025, Ramagem deixou o Brasil clandestinamente (passando pela Guiana), descumprindo, assim como Flávio agora, ordens do STF que proibiam sua saída do país.

    Nas redes sociais, ele escreveu: "Livre da perseguição para ser a voz do Brasil por liberdade, segurança e prosperidade. Flávio saiu do Brasil, mas não deixou os brasileiros. Essa luta só terminará quando o Brasil voltar a ser um país livre. Esse dia vai chegar."

  20. Flávio Bolsonaro está isolado e sem caminho claro de volta à política brasileira, diz Washington Post, Em reportagem publicada hoje, o jornal destaca que a decisão do senador de abandonar o país surpreendeu até seus próprios assessores, alguns dos quais haviam recomendado que ele permanecesse no Brasil

    Wahsington Post

    O jornal americano Washington Post afirma que Flávio Bolsonaro está distante de sua base política e “sem qualquer caminho claro de volta à política brasileira”, após deixar o Brasil e chegar a Miami, nos Estados Unidos.

    Em reportagem publicada hoje, o jornal destaca que a decisão do senador de abandonar o país surpreendeu até seus próprios assessores, alguns dos quais haviam recomendado que ele permanecesse no Brasil.

    Segundo um assessor ouvido sob anonimato pelo jornal, o senador parecia disposto, na segunda-feira, a aceitar a derrota e assumir o papel de principal liderança da oposição.

    A situação mudou depois que a Justiça determinou a entrega de seus passaportes brasileiros. Uma pessoa com conhecimento das conversas privadas de Flávio afirmou que a derrota eleitoral, a decisão judicial e a possibilidade de prisão o deixaram “emocionalmente exausto”. “Acho que nem ele sabe o que vai fazer”, disse a fonte ao jornal.

    O Washington Post também descreve a situação como um potencial “problema político” para Donald Trump.

    Embora o governo americano tenha autorizado a entrada de Flávio e de sua família nos Estados Unidos, o presidente evitou endossar suas acusações de fraude.

    “Nós demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha”, afirmou Trump.

    Uma autoridade americana disse ao jornal que o Departamento de Estado dificilmente levará adiante as denúncias contra Flávio. Na carta publicada nas redes sociais, o senador agradeceu a Trump e ao presidente argentino Javier Milei pela ajuda para deixar o país.

    A reportagem aponta ainda divisões dentro do próprio grupo político de Flávio. Uma ala defendia que ele se declarasse “presidente legítimo” do Brasil, enquanto outra sugeria buscar apoio dos governos americano e argentino para pressionar por uma auditoria da eleição.

    O jornal afirma que até alguns aliados começavam a se afastar de sua estratégia. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, disse compreender a indignação de Flávio, mas defendeu que o resultado das urnas fosse respeitado. O Washington Post ressalta que não há evidências públicas de fraude no sistema eleitoral brasileiro.

    O jornal também compara a viagem de Flávio à trajetória de seu pai, Jair Bolsonaro, que também foi para a Flórida depois de perder a eleição presidencial de 2022.

    A publicação observa, porém, uma diferença importante: desta vez, não há sinais de uma mobilização de apoiadores semelhante à que antecedeu os ataques de 8 de janeiro de 2023.

    Segundo a reportagem, o futuro político do senador permanece indefinido, inclusive para pessoas de seu círculo mais próximo.