São Paulo: votos após as 17h não poderiam mudar vencedor na capital paulista
- Author, Luiz Fernando Toledo
- Role, Reporter, BBC Brasil

Crédito, Reuters
Até as 17h do segundo turno, 7.279.625 pessoas já haviam votado para presidente na cidade de São Paulo, segundo levantamento feito pela BBC News Brasil com os registros das 26.683 seções eleitorais da capital.
O número corresponde a 99,939% dos 7.284.071 votos registrados durante todo o dia. Depois desse horário, foram registrados 4.446 votos, ou 0,061% do total. Após as 17h15, foram registrados 1.152 votos; depois das 17h30, 989; após as 18h, 606; depois das 18h30, 207; e após as 19h, cinco.
Mesmo antes das 17h, o comparecimento do segundo turno já superava em 273.214 pessoas o total do primeiro turno de 2026, quando 7.006.411 eleitores votaram na capital. Ao fim do segundo turno, o aumento foi de 277.660 votantes, ou 3,96%. A abstenção final caiu de 23,39% para 20,36%: 1.861.898 dos 9.145.969 eleitores aptos não compareceram. Na comparação com o segundo turno de 2022, a capital registrou 88.053 votantes a menos em 2026. Quatro anos antes, 7.372.124 pessoas haviam votado para presidente. Os votos posteriores às 17h não tinham capacidade numérica de inverter o vencedor na cidade. Lula terminou com 3.864.354 votos, contra 3.097.923 de Flávio Bolsonaro, uma vantagem de 766.431.A oferta de ônibus foi um dos focos de contestação durante o domingo eleitoral. A Justiça Eleitoral havia determinado que a prefeitura disponibilizasse a frota praticada nos dias úteis. Aliados de Lula acusaram a gestão de Ricardo Nunes de oferecer transporte insuficiente e pediram providências judiciais. O prefeito negou falta de ônibus e sustentou que a oferta atendia à demanda. Após denúncias de dificuldades no transporte, o ministro Cristiano Zanin, do STF, prorrogou a votação até as 19h, medida posteriormente limitada às seções ainda abertas. O TRE-SP informou que comunicou os juízos às 17h18, quando cerca de 80% das seções do estado já estavam encerradas. A redução na presença de ônibus foi maior nas áreas mais pobres de São Paulo, segundo levantamento de Igor Novaes Lins, pesquisador do Cebrap. Com registros de GPS da SPTrans, ele comparou os mesmos horários do domingo de eleição e do sábado anterior. No quinto mais pobre da cidade, a presença de ônibus perto das áreas de moradia caiu 18,1%, ante 10,6% no quinto mais rico. O estudo também cruzou a oferta de transporte com a votação do primeiro turno. Entre os eleitores cadastrados nos locais onde Lula teve pelo menos 60% dos votos na comparação com Flávio Bolsonaro, 42,8% estavam em áreas com redução de 20% ou mais na presença de ônibus. Nos locais em que Flávio ficou à frente, essa proporção foi de 29,7%. A diferença foi mais acentuada na parte mais distante da Zona Sul. Ali, 63,6% dos eleitores cadastrados nos locais com votação de pelo menos 60% para Lula estavam em áreas com redução de 20% ou mais, contra 32,4% nos locais onde Flávio liderou. O levantamento identificou desigualdade na oferta de transporte, mas não calculou quantas pessoas deixaram de votar por causa dela.
























