O que se sabe sobre foguete da SpaceX que teria colidido com a Lua

Crédito, AFP via Getty Images
- Author, Kayla Epstein
- Author, Max Matza
- Published
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Astrônomos acreditam que parte de um foguete da SpaceX, que viajava em alta velocidade em direção à Lua, teria colidido com o satélite nesta quarta-feira (05/08).
O foguete Falcon 9 foi lançado no ano passado. Sua seção superior, de 4 mil kg, foi descartada no espaço conforme planejado, mas acabou entrando em uma rota de colisão acidental com a superfície lunar.
O impacto desta quarta-feira estava previsto para ocorrer por volta das 3h35 (horário de Brasília).
Até agora, ainda não há imagens da colisão.
Nenhuma das espaçonaves em órbita da Lua estava posicionada para registrar a colisão em tempo real. Portanto, a primeira tarefa dos cientistas é comparar imagens da superfície feitas antes e depois do evento para identificar a nova marca — um processo que exigirá mais tempo.
A sonda sul-coreana Danuri tinha a melhor chance de captar algo próximo ao tempo real, pois passou perto do local do impacto pouco antes do evento. No entanto, a equipe responsável informou à imprensa coreana que quaisquer imagens só serão divulgadas após a conclusão das análises pelos institutos de pesquisa, sem previsão de data.
A sonda Lunar Reconnaissance Orbiter, da Nasa, estará posicionada para fotografar o local só nos próximos dias.
Telescópios no continente americano — onde ainda estava escuro — tinham a melhor oportunidade de captar o breve clarão e a pluma de poeira. Mas transformar detecções brutas em imagens tratadas geralmente leva horas — ou até dias.
Rodrigo Palominos, operador de telescópio no Observatório Paranal, no Chile, disse à BBC que, no horário previsto para o impacto, detectou uma alteração em algumas linhas de emissão de luz que não estavam presentes anteriormente.
Palominos afirma que se trata de um "resultado preliminar promissor", que pode indicar a liberação de material decorrente da colisão.

Crédito, Getty Images/Nasa
Acredita-se que o foguete da SpaceX teria colidido com a Lua nas proximidades da Cratera Einstein, na face lunar iluminada pelo Sol e visível da Terra.
O local situa-se no lado oposto da Lua em relação ao famoso local de pouso da Apollo 11, onde Neil Armstrong e Edwin "Buzz" Aldrin caminharam pela primeira vez na superfície lunar.
Segundo Matt Bothwell, astrônomo da Universidade de Cambridge, o incidente é uma oportunidade única para estudar o que acontece quando um objeto atinge a Lua.
Observar a quantidade de material lançado, a altura que atinge e como retorna à superfície deve aprimorar seus modelos de impactos lunares — e até mesmo fornecer pistas sobre o que se encontra logo abaixo da superfície no local do impacto, onde material subterrâneo fresco será exposto pela primeira vez.
Lixo espacial
Fim do Promoção Agregador de pesquisas
Bothwell também afirma que a colisão serve como um alerta sobre o problema do acúmulo constante de detritos espaciais produzidos pelo homem.
"Acho que mais pessoas deveriam se preocupar com o lixo espacial", disse Bothwell. "A cada ano, colocamos mais coisas em órbita. Às vezes, os satélites colidem e se partem em um número maior de pedaços. A possibilidade de uma reação em cadeia descontrolada, com tanta coisa em órbita, é preocupante."
Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), existem cerca de 54 mil objetos de mais de 10 cm de diâmetro flutuando no espaço. No total, os seres humanos lançaram cerca de 17 mil toneladas de objetos ao espaço desde o início da Era Espacial, em 1957.
O último foguete inativo a impactar a Lua foi em 2022, quando a seção superior 3C do foguete chinês Longa Marcha, da missão Chang'e 5-T1 de 2014, atingiu o lado oculto da Lua, que está voltado para o lado oposto ao da Terra.
Décadas antes, a Nasa lançou objetos na Lua propositalmente, a fim de coletar dados para as missões Apollo.
O impacto desta quarta-feira — se confirmado — significa que a Lua agora abrigaria cerca de 3 mil objetos feitos pelo homem, com um peso total de aproximadamente 190 toneladas.
Esse acúmulo vem ocorrendo desde que a sonda soviética Luna 2 se tornou a primeira espaçonave a alcançar a superfície lunar, em setembro de 1959.
A própria contagem da Nasa registra 796 itens provenientes apenas de seu programa lunar — a maioria deixada para trás pelas seis missões Apollo.
O número total de 3 mil é alcançado quando se incluem também equipamentos de outras nações e empresas, desde módulos de pouso soviéticos e chineses até estágios de foguetes que sofreram impactos, como o de hoje.
Ao contrário da poluição na Terra, esses detritos não representam ameaça a nenhum ecossistema, uma vez que a Lua não possui atmosfera ou biosfera que possam ser danificadas.
No entanto, os cientistas estão preocupados com algumas outras questões.
Uma delas é proteger locais históricos — como as áreas de pouso das missões Apollo — contra perturbações ou danos à medida que mais missões chegam ao local.
A outra é preservar áreas valorizadas justamente por permanecerem intocadas, uma vez que o solo lunar inalterado guarda bilhões de anos de história geológica que os cientistas desejam estudar antes que ele seja contaminado por detritos.
A preocupação mais urgente, levantada pela Nasa e pela SpaceX nesta semana, diz respeito ao risco de colisões envolvendo futuras missões, visto que a frequência de pousos e o tráfego orbital ao redor da Lua devem aumentar drasticamente na próxima década.
- Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).



























