Homem que organizou o próprio velório em vida morre aos 47 anos e deixa mensagem: 'Vida valeu a pena'

Tiago Pitthan fala em seu próprio velório, com chapéu e flores no pescoço

Crédito, Reprodução/BBC

Legenda da foto, Tiago Pitthan diz, em discurso, que venceu o câncer
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Morreu no domingo (5/7), o advogado Tiago Pitthan, em Campo Grande (MS).

Diagnosticado com um câncer terminal, o homem de 47 anos ganhou visibilidade ao decidir fazer o próprio velório — e comparecer ainda vivo ao evento.

Ele deixou uma última publicação em suas redes sociais.

"Só pra falar pra vocês não se preocuparem. Estou bem, estou em paz, estou feliz. Valeu a pena. Tudo valeu a pena. Tive uma vida boa e é isso. Eu venci. No final eu venci, porque eu venci todos os dias. A vida valeu. Um beijo do Bom Sujeito", disse ele em um vídeo publicado nas redes sociais no domingo.

Antes, Tiago escreveu em uma imagem que "a vida vale a pena" e brincou: "Talvez eu volte aqui e conte como foi…talvez não. Na dúvida, amo vocês!"

O velório será realizado no Memorial Park nesta segunda-feira, 6/07, a partir das 10h, em Campo Grande, segundo divulgado pelo perfil do próprio Tiago nas redes sociais.

Velório em vida

A ideia do velório em vida surgiu quando ele estava no funeral do pai. Tiago se deu conta de que o pai teria adorado estar ali, se divertindo com os amigos e familiares: "Só faltou ele ali. Aí eu decidi que eu não ia faltar no meu".

Foi um evento aberto, com roda de samba e shows de rock, e teve centenas de convidados — vários deles, desconhecidos, que foram tocados pela história de Tiago, conhecido entre os amigos como "o bom sujeito".

À BBC News Brasil, ele disse que quer deixar como legado a mensagem de que a vida vale a pena. "Eu escolho diariamente ser feliz. É uma escolha diária. Não é fácil, mas é possível."

Em um discurso no evento, ele contou como encarava a doença.

"As pessoas me perguntam todos os dias como é estar morrendo. Eu não sei. Tenho câncer terminal, não tem cura, faço tratamento paliativo. Mas não sei como é estar morrendo. Estou vivendo. Eu vou morrer uma vez só. Todos os outros dias eu estou vivendo. Isso aqui é um velório, porque fiz questão de chamar de velório. Porque quando damos nomes para as coisas, conseguimos enfrentar. Quando não damos nomes, elas assombram a gente."