Veja as estimativas de intenção de voto no Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil
Lula e Flávio Bolsonaro disputam as ruas no 1º dia da campanha presidencial; veja como foram os atos

Crédito, Adriano Machado e Pilar Olivares/Reuters
O primeiro dia de campanha eleitoral, neste domingo (16/8), foi marcado pela disputa das ruas, com atos dos candidatos à Presidência da República em locais simbólicos.
Em São Bernardo do Campo (SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursou para milhares de militantes no estádio Primeiro de Maio. O local recorda as assembleias ocorridas ali e lideradas pelo petista durante as greves no ABC, entre 1979 e o início de 1980, parte do que originou o PT anos mais tarde.
Já Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário no pleito marcado para outubro, reuniu apoiadores na avenida Atlântica, uma das principais vias do Rio de Janeiro, e discursou em cima de um trio elétrico.
Lula e Flávio Bolsonaro estão à frente da corrida eleitoral — em um eventual segundo turno, Lula teria 46%, e Flávio, 43% das intenções de votos, segundo o agregador de pesquisas da BBC.
Renan Santos (Missão), o terceiro candidato com mais intenção de votos, planeja ocupar o largo São Francisco, sede da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), onde estudou, embora não tenha concluído o curso, a partir das 14h.
O dia também teve uma carreata de Ronaldo Caiado (PSD) por municípios de Goiás — incluindo Águas Lindas de Goiás, Santo Antônio do Descoberto, Novo Gama, Valparaíso, Cidade Ocidental e Luziânia — e um discurso de Romeu Zema (Novo) em Montes Claros, cidade no norte de Minas Gerais.
Lula em São Bernardo do Campo
Para garantir o público, os diretórios do partido organizaram caravanas com dezenas de ônibus de apoiadores que se espalharam pelas arquibancadas e pelo campo de futebol. Oficialmente, a arquibancada comporta 12,5 mil pessoas.
"O mesmo palco, uma nova história" foi um dos motes do dia da campanha petista, que contou com uma megaestrutura formada por um palanque enorme e um telão. Muito diferente dos pequenos palcos de madeira onde o então sindicalista subia para discursar, muitas vezes sem microfone.
Para completar o clima nostálgico, lideranças e metalúrgicos daquela época subiram no palco com Lula, antes dos demais candidatos e apoiadores: Geraldo Alckmin, vice-presidente que disputa a reeleição com Lula, Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo, e a primeira-dama Rosangela da Silva.

Crédito, Adriano Machado/Reuters
Fim do Promoção Agregador de pesquisas
O aceno às mulheres, uma cobrança que tem surgido em todas as campanhas, foi marcado pela ordem dos discursos. A deputada federal e candidata ao Senado pelo Rio de Janeiro, Benedita da Silva, foi a primeira a discursar, seguida por Janja, que fez um discurso enaltecendo "Marias", "Joanas" e "Marielles". E uma homenagem especial a "dona Marisa", a ex-mulher de Lula, morta em 2017, que, segundo Janja, teve papel fundamental na vida do presidente e na luta sindical.
Janja convocou o pastor e cantor Cleber Lucas para cantar com ela o novo jingle de campanha, que evoca Deus na letra. O clipe exibido no telão era feito de imagens de vários momentos da trajetória de Lula, incluindo encontro com Donald Trump.
Na semana passada, vale lembrar, o governo brasileiro iniciou a implementação das tarifas recíprocas contra os Estados Unidos, em mais um capítulo da guerra comercial travada por Trump.
Emocionado, vestindo branco e o já tradicional chapéu Panamá devido ao câncer de pele que teve recentemente, Lula discursou lembrando de intelectuais que fizeram parte do surgimento do PT, como Florestan Fernandes, Antônio Cândido, Marco Antônio Garcia e Sérgio Buarque de Holanda.
Agradeceu a Deus, mencionando-o cinco vezes. "Deus sempre foi muito generoso comigo", disse. "Deus fez vocês, e vocês fizeram Lular ser do jeito que ele é", afirmou.
"Deus é justo", acrescentou, por ter colocado Janja em sua vida após a morte de Marisa. "Eu tenho que agradecer a Deus", por ter sido eleito três vezes. "Só pode ser o dedo de Deus."
Reprisando a convenção do PT, que lançou sua candidatura no início do mês, Lula fez novamente um discurso longo. Falou sobre terras raras, crime organizado, educação e sua mãe, dona Lindu. Sob um sol forte, os apoiadores foram, aos poucos, esvaziando as arquibancadas.
A BBC News Brasil apurou que houve uma preocupação explícita de Lula em relação às pessoas que deixaram a convenção naquele dia.
Ao finalizar o discurso, ele deixou isso claro. "A Janja disse: Meu amor, se você estiver falando e estiver percebendo um clarão, é que o povo está dizendo 'eu estou indo embora e quero almoçar'".
Flávio Bolsonaro em Copacabana
Flávio Bolsonaro subiu ao trio elétrico na avenida Atlântica por volta das 11h30, ao lado do candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar (PL) e do candidato ao governo fluminense Douglas Ruas (PL).
Antes de seu discurso, o candidato cantou o hino nacional brasileiro, acompanhado da plateia, e assistiu a discursos de candidatos do PL ao Senado e à Câmara até dar início à sua própria fala, às 12h40.
Flávio começou agradecendo aos presentes. "A gente está ocupando a rua, em um lugar onde o atual presidente não pode pisar, porque é alguém odiado pelo povo", afirmou, antes de lembrar o legado de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso. "Imaginem que ele está nos vendo no momento pela televisão e vamos homenageá-lo, cantando 'volta Bolsonaro'."
"Sei que vocês estão olhando para mim e lembrando de uma pessoa. Sei que me pareço com ele, mas é difícil comparar o filho do Pelé com o Pelé. Estou aqui com toda a humildade, aceitando essa missão que o presidente Bolsonaro me passou, porque tenho a convicção de que há um propósito de Deus para o nosso país. Sei do tamanho da minha responsabilidade e estou mais do que preparado para recolocar o Brasil no caminho a prosperidade", acrescentou Flávio.

Crédito, Pilar Olivares/Reuters
O candidato prosseguiu, em uma fala marcada por críticas a Lula e à condução do presidente, sobretudo nas pautas da economia e das relações internacionais, até precisar interromper o discurso para avisar aos salva-vidas que havia duas crianças se afogando no mar à frente.
Ao voltar ao microfone, ele finalizou apresentando as credenciais de seu vice, o segundo deputado mais votado de Alagoas, que já foi procurador-geral de Justiça e secretário de Segurança Pública do Estado no governo de Renan Filho (MDB), filho de Renan Calheiros (MDB).
"O Brasil vai vencer", finalizou Flávio, elencando uma série de promeças envolvendo economia, segurança pública, educação, gênero e demais temas centrais de sua campanha ao Palácio do Planalto.

























