As obras de arte que inspiraram 8 dos visuais mais deslumbrantes do Met Gala

Crédito, Getty Images/Museu Metropolitano de Arte de Nova York
- Author, Ellie Violet Bramley
- Role, BBC Culture
- Tempo de leitura: 8 min
"Moda é Arte" foi o tema do Met Gala deste ano, realizado, como sempre acontece, na primeira segunda-feira de maio.
O evento marca a abertura da mais recente exposição do Instituto de Vestuário do Museu Metropolitano de Arte de Nova York, nos Estados Unidos. E também é uma oportunidade para que as celebridades da lista de convidados da jornalista Anna Wintour, responsável pela organização do Met Gala, subam os degraus do museu nos trajes mais glamourosos, fantásticos, exuberantes, engraçados, absurdos e, às vezes, intelectuais que eles e suas equipes de estilistas puderem imaginar.
O tema deste ano veio com uma observação: que este é o momento para que os convidados "expressem sua própria relação com a moda como forma de arte personificada e homenageiem as incontáveis ilustrações do corpo vestido ao longo da história da arte".
Aqui estão oito trajes inspirados por obras de arte, presentes no Met Gala 2026.

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Rosé — Os Pássaros, de Georges Braque (1952–53)
A cantora neozelandesa Rosé, do grupo de K-pop Blackpink, usou um vestido sem alças preto, obra de Saint Laurent por Anthony Vaccarello, aparentemente despretensioso. Mas a sua inspiração no mundo da arte foi o destaque da criação.
Como releitura das ilustrações de pássaros da obra do pintor francês Georges Braque (1882-1963), o vestido incluiu um enorme acessório em forma de ave.
Rosé trabalhou com seu estilista (ou "arquiteto de imagens", como ele gosta de ser chamado) Law Roach e o visual também foi inspirado pelas coleções de alta-costura primavera 1998 e 2002 de Saint Laurent.
A cantora declarou à revista Vogue que "chegamos a este visual Saint Laurent muito clássico e, enquanto estudávamos, fiquei sabendo que Yves Saint Laurent [1936-2008] usava constantemente este desenho de pássaro".

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Lena Dunham — Judite Decapitando Holofernes, de Artemisia Gentileschi (c. 1612-1620)
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A atriz e roteirista, criadora da série Girls (2012-2017), lançou recentemente suas memórias, Famesick ("Cansada da Fama", em tradução livre). Ela voltou ao tapete vermelho do Met Gala pela primeira vez desde 2019, com um espetacular vestido Valentino, todo vermelho, de Alessandro Michele.
O vestido de seda vermelha assimétrica, com lantejoulas e penas de corvo, foi inspirado em um aspecto específico da pintura Judite Decapitando Holofernes: o sangue.
Em entrevista à Vogue, Dunham explicou ter compartilhado com Michele a ideia de empregar aquela pintura como inspiração.
"Mas, como o cérebro dele trabalha de formas totalmente mágicas, em vez de usar as roupas do Renascimento, as espadas ou outra coisa, ele foi atraído por uma mancha de sangue específica no pescoço de Holofernes", ela conta.
O quadro da pintora barroca italiana Artemisia Gentileschi (1593-c.1654), a primeira mulher a entrar para a Academia de Arte e Design de Florença, está exposto na galeria Uffizi, na cidade italiana.

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Julianne Moore — Madame X, de John Singer Sargent (1883-84)
O design pode ter sido da casa de moda italiana Bottega Veneta, mas a obra do artista americano John Singer Sargent (1856-1925) foi a gênese do elegante vestido preto de Julianne Moore, com uma das alças abaixada.
O visual faz alusão ao retrato de Madame Gautreau (1859-1915) pintado pelo artista, mais conhecido como Madame X. O quadro causou um escândalo quando foi apresentado pela primeira vez em Paris, na França, em 1884.
Por quê? O crítico de arte Jonathan Jones explicou no jornal britânico The Guardian que "foi o vestido que causou desconforto".
Jones descreve o quadro como "aristocraticamente antiburguesia".
"Madame Gautreau usa um vestido preto quase sem alças, exceto por dois finos cordões dourados; o dinheiro e o sexo são ostentados por uma moda totalmente incompatível com a vida burguesa."
Mas, na alta sociedade nova-iorquina de 2026, o visual causou menos polêmica.
Já a outra socialite que usou um vestido inspirado na mesma pintura causou alguma controvérsia. A versão de Lauren Sánchez Bezos (esposa do bilionário da tecnologia Jeff Bezos) foi criada pelo designer Daniel Roseberry, da Schiaparelli.
A pintura, acertadamente, faz parte da coleção permanente do Museu Metropolitano de Arte de Nova York.

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Hunter Schafer — Mäda Primavesi, de Gustav Klimt (1912-1913)
O visual aparentemente desgrenhado da estrela da série Euphoria, Hunter Schafer, na verdade, foi produzido pela Prada.
Inspirado no quadro Mäda Primavesi, do pintor austríaco Gustav Klimt (1862-1918), o vestido imita a roupa produzida por Emilie Flöge (1874-1952) da jovem de nove anos ilustrada na pintura.
O pai da menina, Otto Primavesi (1868-1926), era patrono das artes e costumava convidar artistas para visitar sua casa de campo, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Um destes artistas era Klimt, a quem ele encomendou um quadro da sua filha (1903-2000).
A versão de Schafer era hiperbólica (afinal, este é o Met Gala), com uma longa cauda que se estendia sobre os degraus. Mas Shafer seguiu a obra original de outras maneiras, por exemplo, reproduzindo a sombra azul dos olhos de Mäda Primavesi.
O quadro faz parte da coleção permanente do museu.

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Dree Hemingway — Marquesa Brigida Spinola-Doria, de Peter Paul Rubens (1606)
A modelo e atriz americana Dree Hemingway, bisneta de Ernest Hemingway (1899-1961), interpretou recentemente Daryl Hannah na série História de Amor: John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette.
Seu vestido Valentino, de Alessandro Michele, evoca várias pinturas do século 17, especialmente Retrato da Marquesa Brigida Spinola-Doria, do mestre flamengo Peter Paul Rubens (1577-1640).
O quadro faz parte do acervo da Galeria Nacional de Arte em Washington DC, nos Estados Unidos.
O delicado tecido prateado de Hemingway, seus bordados e penas, alinhados a um colar teatral de crinolina com bordas douradas, parece imitar os colares líricos, com densas pregas, da era elizabetana.
Mas o conjunto também tem inspiração artística mais recente. Ele fez parte da coleção de alta-costura Specula Mundi 2026 de Valentino, inspirada nos dispositivos estereoscópicos Kaiserpanorama, do século 19.

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Anne Hathaway — cratera de sino de terracota atribuída ao grupo Chevron (c. 350-325 a.C.)
O vestido criado por Michael Kors para Anne Hathaway foi desenhado em colaboração com o artista americano Peter McGough. Mas foi a obra do poeta romântico britânico John Keats (1795-1821) que o inspirou, especificamente seu Ode sobre uma Urna Grega (1819).
O poema termina com dois versos enigmáticos que já foram quase tão discutidos quanto o corte de cabelo de Anna Wintour:
A beleza é a verdade; a verdade, beleza — isso é tudo
o que sabeis na Terra e tudo o que precisais saber.
O vestido pintado à mão evoca o poema, relembrando as delicadas urnas da Grécia antiga, particularmente esta cratera de sino de terracota, criada em 350-325 a.C.
McGouth pintou à mão, no vestido de baile de seda preta e mikado, uma pomba da paz e uma deusa da paz na cauda, Por isso, houve quem considerasse a peça como uma das raras referências à política daquela noite.

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Heidi Klum — A Vestal Velada, de Raffaelle Monti (1846-47)
A supermodelo germano-americana é conhecida como a rainha do Halloween, pelo seu amor às fantasias e dedicação à sua tarefa. Por isso, ela e o Met Gala formam uma conexão natural.
E Klum não decepcionou, ao aparecer vestida como a escultura A Vestal Velada de Raffaelle Monti (1818-1861).
Segundo o portal EBSCO, as virgens vestais eram "responsáveis pela manutenção do fogo sagrado de Vesta, que simbolizava a segurança de Roma".
É difícil imaginar qual seria a opinião do escultor italiano, ou do sexto duque de Devonshire (1790-1858), que encomendou a obra, sobre o visual de Klum.
Mas é de se esperar que eles tivessem apreciado o esforço da modelo. Afinal, ela chegou a se harmonizar com a escultura, usando lentes de contato cinza e mãos, rosto e dentes pintados.
Não se sabe ao certo qual material deu forma ao vestido de Klum, mas a escultura original foi esculpida em três blocos de mármore de Carrara. Ela faz parte do acervo da Chatsworth House, em Derbyshire, no Reino Unido.

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Ciara — Busto de Nefertiti (c. 1345 a.C.)
Em entrevista à revista Vogue Arábia, a cantora Ciara descreveu estar usando "ouro sobre ouro sobre ouro", do vestido até as joias, para representar a antiga rainha egípcia Nefertiti (c.1370 a.C.-c. 1330 a.C.), cujo nome significa "A Bela Está Aqui".
"Nefertiti era muito, muito poderosa... e quero representar isso", afirma Ciara.
Aparentemente, Nefertiti "detém a posição de rainha do Egito que mais aparece em monumentos e outros meios artísticos remanescentes", segundo pesquisa da Universidade Harvard, nos Estados Unidos.
Ela foi a musa da modelo jamaicana Grace Jones e o Museu Metropolitano de Arte de Nova York abriga diversos artefatos egípcios ilustrando a antiga rainha.
Agora, Nefertiti pode acrescentar o Met Gala ao seu catálogo. Muitas vezes retratada com uma coroa gigantesca, Nefertiti tem tudo a ver com o evento.
Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Culture.






























