O Irã é a seleção mais azarada da Copa do Mundo?

Crédito, Getty Images
- Author, Sam Drury
- Role, Da BBC Sport
- Published
- Tempo de leitura: 4 min
Tristeza é algo esperado em uma Copa do Mundo.
Por trás de cada momento de glória, há uma história de azar — uma nação lamentando sua sorte e injustiças que levaram à sua queda.
Ainda assim, poucas situações se comparam à crueldade que o Irã enfrentou nesta Copa.
Enfrentando desafios sem precedentes antes mesmo de a bola rolar, a equipe dirigida pelo técnico Amir Ghalenoei esteve muito perto da vaga no mata-mata — apenas para vê-la escapar no último momento... não uma, mas duas vezes.
Apesar de invicto na fase de grupos, o Irã perdeu a vaga na fase eliminatória por causa do saldo de gols.
Mas a história da sua eliminação foi ainda muito pior...
Gol salvador do Irã nos acréscimos é anulado
Após empates contra Nova Zelândia e Bélgica, o Irã sabia que uma vitória sobre o Egito, em Seattle, garantiria a classificação para o mata-mata.
O Irã começou perdendo logo cedo, mas reagiu bem. E embora o atacante Mehdi Taremi tenha perdido um pênalti, Ramin Rezaeian empatou o jogo com um chute preciso, quase sem ângulo.
A partida seguiu empatada até os acréscimos do segundo tempo, quando o iraniano Shoja Khalilzadeh marcou um gol após uma confusão na área.
O gol foi muito comemorado, com Khalilzadeh tirando a camisa — pelo que recebeu cartão amarelo — e posando para uma foto com óculos escuros.
No entanto, a alegria logo virou angústia quando o gol foi anulado por impedimento. O impedimento foi no limite — com a ponta do pé de Khalilzadeh ligeiramente à frente do penúltimo defensor do Egito.
A partida terminou 1 a 1, o que significava que o Irã teria de esperar pelo desfecho de outros jogos para descobrir se avançaria, pela primeira vez, à fase mata-mata da Copa do Mundo.
Gol aos 51 minutos do 2º tempo elimina o Irã
O Irã teve de esperar até os jogos finais da fase de grupos para descobrir seu destino.
Argélia contra Áustria era o confronto decisivo — e uma vitória de qualquer uma das equipes favoreceria o Irã.
Um jogo emocionante parecia destinado a terminar 2 a 2, eliminando o Irã, até que Riyad Mahrez arrancou em direção ao gol e colocou a Argélia na frente aos 48 minutos do segundo tempo.
Com apenas alguns instantes restantes, o Irã estava novamente muito perto da vaga.
Mas o drama não terminou ali. Em um último ataque, a Áustria conseguiu empatar com um cabeceio de Sasa Kalajdzic, a poucos segundos do fim.
Pela segunda vez em 24 horas, a alegria do Irã foi tirada no último momento.
O saldo de gols superior do Senegal garantiu aos africanos a última vaga entre os terceiros colocados. Já o Cabo Verde, que assim como o Irã havia empatado os três jogos da fase de grupos, avançou em segundo lugar no Grupo H.
'O país anfitrião nos tratou de forma muito injusta'
Fim do Promoção Agregador de pesquisas
O fato de o Irã ter chegado tão perto da classificação já é notável por si só, considerando os obstáculos únicos que teve de superar.
O Irã disputou a Copa do Mundo em meio ao contexto do conflito do país com os EUA e Israel.
A base de treinamento da seleção para a Copa foi transferida do Arizona para Tijuana, no México, antes do início do torneio, e a equipe enfrentou restrições de viagem durante toda a competição.
O Irã só foi autorizado a entrar nos EUA no dia anterior aos seus dois primeiros jogos e teve de sair novamente no mesmo dia da partida, nos termos de seus vistos.
Posteriormente, Ghalenoei descreveu sua equipe como a "mais oprimida" do torneio.
Ele disse que o elenco foi "privado" de tempo de preparação e teve "menos da metade" da janela de treinos necessária, enquanto outras equipes desfrutaram de condições normais.
Essas restrições de viagem foram flexibilizadas para o jogo em Seattle, permitindo que a equipe chegasse dois dias antes, mas teve de retornar a Tijuana após a partida.
Após o jogo, Ghalenoei voltou a expressar sua frustração: "Aos meus jogadores e à equipe, quero dizer que estou orgulhoso deles".
"O que estes jovens, estes jogadores fizeram deveria ser registrado na história, porque o país anfitrião nos tratou de forma muito injusta."
"Apesar de todos esses problemas, conseguimos ter um bom desempenho e o mundo está orgulhoso dos iranianos e da nossa equipe."
"Apelo à Fifa: não deixem que anfitriões tratem jogadores e equipes da mesma forma nas próximas Copas do Mundo."
- Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).

























