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Por dentro do cruzeiro onde 146 passageiros permanecem confinados após surto de hantavírus
O navio de cruzeiro MV Hondius enfrenta um surto de hantavírus que mobiliza autoridades internacionais de saúde. A embarcação, que partiu da Argentina em 1º de abril com 174 pessoas a bordo, segue sob monitoramento enquanto o caso é investigado.
Três pessoas que estavam a bordo já morreram desde o início da viagem, em uma delas a presença do vírus foi confirmada.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), oito casos foram identificados até o momento — três confirmados e cinco sob suspeita.
Nesta quarta-feira (6/5), três passageiros — um britânico, um tripulante holandês e um passageiro alemão — com suspeita de infecção foram retirados por barco, em Cabo Verde, nas proximidades de onde o navio estava ancorado. Até o momento, nenhum deles testou positivo para o vírus, mas dois apresentam sintomas compatíveis com a doença.
Após a evacuação, o navio iniciou uma viagem de três dias rumo às Ilhas Canárias, onde deve atracar.
O desembarque foi autorizado pelo governo espanhol na noite de terça-feira (5/5). No entanto, o líder do governo das Ilhas Canárias afirmou, nesta quarta, que se opõe ao plano de permitir a chegada de um navio com casos da doença ao arquipélago.
“Não posso permitir que [o navio] entre nas Canárias”, disse Fernando Clavijo à rádio espanhola Onda Cero. “Essa decisão não se baseia em nenhum critério técnico e tampouco nos foi fornecida informação suficiente.”
Tradicionalmente associado ao contato com roedores, o hantavírus raramente se transmite entre humanos.
No entanto, especialistas acreditam que, neste caso, pode haver transmissão por contato próximo — hipótese reforçada pela identificação da cepa Andes, conhecida por esse tipo de disseminação e comum na América Latina, região de origem do cruzeiro.
Um total de 146 pessoas, de 23 países diferentes, permanece a bordo do MV Hondius sob “medidas rigorosas de precaução”, informou a operadora Oceanwide Expeditions.
Eles foram acompanhados por especialistas em doenças infecciosas e equipes da OMS, que viajarão com o grupo até as Ilhas Canárias.
Todos os que permanecem no navio não apresentam sintomas, segundo a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García.
Segundo García, todos a bordo passarão por avaliação médica ao chegar a Tenerife e, se estiverem aptos para viajar, os estrangeiros serão repatriados para seus países de origem. Já os cidadãos espanhóis serão encaminhados a um hospital de defesa em Madri, onde cumprirão quarentena.
A evacuação deverá “evitar contato” com os moradores das Ilhas Canárias e não representará “nenhum risco” para a população local quando o navio chegar a Tenerife nos próximos dias, afirmou a ministra.
Apesar de relatos de que o clima dentro do navio é tranquilo, há preocupação entre os viajantes, segundo um passageiro ouvido pela BBC.
“Há muita incerteza, e essa é a parte mais difícil”, afirmou o vlogger de viagens Jake Rosmarin em uma publicação nas redes sociais feita diretamente do navio.
Confira no vídeo como é o navio onde passageiros estão confinados devido ao surto de hantavírus.