As pessoas que passam até um terço do dia no ônibus e metrô para ir e voltar do trabalho

Legenda do vídeo, Vídeo feito com pessoas que passam até um terço de suas vidas no transporte
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Durante uma semana, a BBC News Brasil acompanhou as jornadas de ida e volta de três trabalhadores que passam até um terço de seu tempo vendo a vida passar através da janela do ônibus ou trem. Uma pesquisa feita em parceria pelo Ibope e a Rede Nossa São Paulo em setembro de 2018 revelou que o tempo médio de deslocamento dos paulistanos é de 2h43 por dia.

O zelador Ludovico Jesus Tozzo, de 58 anos, conta que quase nunca vê a luz do dia ao lado da mulher, de seus dois filhos e netos porque passa cerca de 7h de seu dia no trajeto de ida e volta do trabalho.

O urbanista especializado em trânsito Flamínio Fishman diz que os trabalhadores entrevistados pela reportagem "são como escravos", pois o tempo que eles gastam com trabalho e transporte praticamente os impede de ter lazer e cultura. Fishman afirma ainda que, ao contrário da maior parte das ações feitas pelo poder público nas últimas décadas, a melhor solução para resolver esse problema da mobilidade não é investir prioritariamente em transporte público.

"Temos sim que aumentar nossa malha de trem, metrô e corredores de ônibus, mas isso só vai remediar temporariamente. A solução é aproximar as empresas e o comércio do domicílio, mudar o uso do solo. Isso porque a gente está com uma cidade muito grande, que passou muito do limite. É necessário levar o trabalho para onde as pessoas residem através de uma legislação que reduza impostos e incentive o deslocamento de empresas para as periferias. Também é necessário construir mais habitações populares no centro", afirmou.

Sidinéia inicia sua jornada diária às 8h em direção à biblioteca comunitária onde trabalha no bairro Colônia, também em Parelheiros. De lá, às 17h, ela pega um ônibus até a faculdade onde cursa administração, em Santo Amaro, também na zona sul. No trajeto de ida e volta são seis conduções, que totalizam cerca de cinco horas por dia no transporte público.

A empregada doméstica Marlene Fernandes de Lima, de 59 anos, por exemplo, faz a chamada "rota negativa". A estratégia é embarcar em um trem no sentido oposto ao que ela realmente deve ir.

"Faço isso porque ninguém oferece o lugar. Só levantam quando entra (no metrô) uma gestante ou um idoso com mais de 70, 80 anos. Para não levantar, elas fingem que estão dormindo ou mexendo no celular", conta ela.