AO VIVO, Lula na ONU — discurso na Assembleia Geral começa em instantes; Trump fala depois

Não há uma reunião bilateral entre Lula e Trump prevista na agenda. Até agora, nenhum dos dois governos apresentou um pedido formal para um encontro.

Pontos-chave

  • Fala de Lula na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, está prevista para às 10h de Brasília;
  • Donald Trump discursa logo depois. EUA e Brasil não apresentaram pedido formal para um encontro, mas conversa informal nos corredores pode acontecer;
  • Relação com presidente americano enfrenta momento delicado, a duas semanas das eleições brasileiras, com uma disputa comercial ainda sem solução e sob o risco de uma nova rodada de sanções contra autoridades brasileiras;
  • O Brasil é o primeiro país a discursar desde 1955. Entenda a tradição;

Cobertura ao Vivo

Julia Braun, da BBC News Brasil em Londres

  1. António Guterres, secretário-geral da ONU, faz discurso de abertura

    O secretário-geral da ONU, António Guterres, subiu ao plenário e faz discurso de abertura neste momento.

  2. No ano passado, Lula e Trump se trombaram após discurso do brasileiro

    Em 2025, durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York, Lula e Donald Trump protagonizaram um encontro rápido e informal que foi apontado como um ponto de virada na relação entre os dois chefes de Estado.

    Os dois se cruzaram quando o presidente brasileiro deixava o plenário da ONU, logo após o seu discurso. Trump era o próximo a falar, e entrava no local.

    Em seu discurso, Trump falou sobre o momento: "Eu estava entrando (no plenário da ONU), e o líder do Brasil estava saindo. Eu o vi, ele me viu, e nos abraçamos. Na verdade, concordamos que nos encontraríamos na semana que vem", disse. "Não tivemos muito tempo para conversar, tipo uns 20 segundos."

    "Ele parece um cara muito legal, ele gosta de mim e eu gostei dele. E eu só faço negócio com gente de quem eu gosto. Quando não gosto deles, eu não faço. Quando eu não gosto, eu não gosto. Por 39 segundos, nós tivemos uma ótima química e isso é um bom sinal", afirmou o presidente americano ainda.

    Naquele momento, o governo brasileiro tentava uma saída diplomática para o primeiro tarifaço aplicado por Donald Trump ao país. Também se discutia a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes, sob a acusação de o ministro do STF ter agido politicamente na condenação de Jair Bolsonaro.

    A relação voltou a desandar nos últimos meses, contudo.

    O momento atual é particularmente delicado: a duas semanas das eleições brasileiras, com uma disputa comercial ainda sem solução e sob o risco de uma nova rodada de sanções do governo Donald Trump contra autoridades brasileiras.

    A expectativa é de que os dois líderes possam reeditar nesta terça-feira (21) um encontro como o do ano passado.

  3. O que esperar da fala de Lula?

    Segundo a versão mais recente do discurso, o presidente brasileiro não deve mencionar Trump nominalmente — ao menos não em tom de crítica.

    A soberania nacional e a defesa da democracia devem ocupar posição de destaque, segundo membros do governo e diplomatas envolvidos no planejamento. O presidente também pretende defender o multilateralismo e mudanças na estrutura da ONU, além de abordar as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio e a situação em Gaza.

    Outro assunto que ganhou importância nos últimos dias é o combate ao crime organizado. A expectativa é que Lula defenda a cooperação internacional no enfrentamento às facções, mas preserve a ideia de que políticas de segurança dentro do território brasileiro devem respeitar a soberania do país.

    O tema ganhou uma dimensão especialmente sensível na relação com Washington após o governo Trump classificar as organizações brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas, elevando as preocupações do Planalto com eventuais iniciativas americanas que possam ser interpretadas como interferência em assuntos domésticos.

    Nas relações comerciais, Lula deverá criticar a imposição unilateral de barreiras tarifárias pelos EUA, sem necessariamente transformar a fala em um ataque direto ao governo americano.

    A intenção, segundo pessoas familiarizadas com as discussões, é encontrar um equilíbrio: Lula quer apresentar uma defesa enfática da autonomia brasileira, mas evitar um confronto que prejudique a tentativa de melhorar as relações com Washington.

    Lula e Trump na Casa Branca

    Crédito, Getty Images

    Legenda da foto, Nos bastidores, o governo Lula vem procurando caminhos alternativos para se aproximar de Donald Trump, diante do entrave atual nas negociações sobre as tarifas americanas

    Esse cálculo ganhou uma dimensão adicional com a proximidade das eleições. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro, apenas 12 dias depois do discurso de Lula na ONU.

    Analistas avaliam que é praticamente impossível separar completamente o pronunciamento internacional da campanha doméstica, ainda que o governo sustente que a fala não terá caráter eleitoral.

    Para Andreza Aruska de Souza Santos, diretora do Instituto Brasil da universidade King's College London, um confronto direto com Trump traria poucos ganhos diplomáticos ao Brasil. Ao mesmo tempo, o momento eleitoral impede que o presidente brasileiro pense apenas na repercussão internacional de suas palavras.

    "Um confronto direto com Trump teria pouco benefício diplomático para o Brasil. Ao mesmo tempo, Lula chega à ONU a poucos dias das eleições, então o público doméstico tem um peso grande neste discurso. Eu esperaria uma defesa bastante clara da soberania e da democracia, mas não necessariamente com uma fala nominal contra Washington", afirma.

    Mas segundo a especialista, a busca de Lula por uma relação funcional com Trump e a defesa da soberania brasileira diante do eleitorado não são necessariamente estratégias excludentes.

    "Lula pode buscar uma relação pessoal funcional com Trump e, ao mesmo tempo, enfatizar perante o eleitorado brasileiro que existem limites claros para essa aproximação", diz ela. "O cálculo é evitar uma escalada que prejudique interesses econômicos e diplomáticos brasileiros, mas sem dar a impressão internamente de que o Brasil está cedendo."

  4. Como foi a participação de Lula na Assembleia Geral de 2025?

    Lula durante discurso

    Crédito, Getty Images

    Esta será a 11ª vez que Lula discursa na Assembleia Geral da ONU. No ano passado, o presidente brasileiro também fez seu pronunciamento em meio a um momento de tensão com os Estados Unidos.

    Naquele momento, o governo brasileiro tentava uma saída diplomática para o primeiro tarifaço aplicado por Donald Trump ao país. Também se discutia a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes, sob a acusação de o ministro do STF ter agido politicamente na condenação de Jair Bolsonaro.

    Mas apesar da tensão, os dois líderes apresentaram uma "ótima química" durante um encontro informal nos corredores do evento.

    "Eu estava entrando (no plenário da ONU), e o líder do Brasil estava saindo. Eu o vi, ele me viu, e nos abraçamos. Na verdade, concordamos que nos encontraríamos na semana que vem", disse Trump na época. "Não tivemos muito tempo para conversar, tipo uns 20 segundos."

    "Ele parece um cara muito legal, ele gosta de mim e eu gostei dele. E eu só faço negócio com gente de quem eu gosto. Quando não gosto deles, eu não faço. Quando eu não gosto, eu não gosto. Por 39 segundos, nós tivemos uma ótima química e isso é um bom sinal", afirmou o presidente americano ainda.

    Trump e Lula em reunião na Malásia em outubro de 2025, após encontro rápido em Nova York

    Crédito, AFP via Getty Images

    Legenda da foto, Trump e Lula em reunião na Malásia em outubro de 2025, após encontro rápido em Nova York

    O episódio foi um ponto de virada na relação entre os dois chefes de Estado, que passaram a dialogar e até tiveram um encontro presencial, que resultou na retirada de tarifas e sanções ao Brasil.

    A relação voltou a desandar nos últimos meses, contudo.

    O momento atual é particularmente delicado: a duas semanas das eleições brasileiras, com uma disputa comercial ainda sem solução e sob o risco de uma nova rodada de sanções do governo Donald Trump contra autoridades brasileiras.

  5. Lula se encontrou com prefeito de NY e trocou camisas de time

    Lula e Mamdani trocam camisas de time em Nova York

    Crédito, Getty Images

    Lula se reuniu com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, na tarde de segunda-feira (21/09), antes de sua participação na Assembleia Geral da ONU hoje. Os dois trocaram camisetas de times esportivos e posaram para fotos.

    O presidente brasileiro ganhou uma camiseta comemorativa da cidade feita para a Copa do Mundo, enquanto o americano recebeu uma peça do Corinthians - o time de Lula.

    O encontro, que aconteceu a pedido de Mamdani, ocorreu na residência do embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese.

    “Foi uma honra passar esse tempo com o presidente Lula e descobrir como se faz para defender os trabalhadores, aqueles que vivem em dificuldade, que vivem em pobreza”, disse Mamdani após o encontro. Ele também chamou Lula de “fonte de inspiração”.

  6. Por que o Brasil sempre abre a Assembleia Geral da ONU

    A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) se reúne na terça-feira (22), para sua 81ª sessão e debate geral. Neste encontro, os países que compõem as Nações Unidas discursam e expressam suas opiniões sobre as questões internacionais mais relevantes da atualidade.

    Como manda a tradição, o presidente Lula será o primeiro líder a discursar. Mas, afinal, por que cabe sempre ao Brasil esse papel de iniciar o evento?

    A resposta está menos em regras escritas e mais em tradição diplomática.

    A prática teria começado em 1949, em meio ao clima de confronto da Guerra Fria, justamente para evitar dar primazia aos Estados Unidos ou à União Soviética.

    Desde então, tornou-se praxe: antes de abrir a lista de oradores, o secretário-geral envia uma nota à missão brasileira perguntando se o país deseja manter a tradição.

    A resposta invariavelmente positiva mantém viva uma prática que "honra e distingue o Brasil", segundo o livro O Brasil nas Nações Unidas, 1946-2011, publicado pela Fundação Alexandre de Gusmão no aniversário de 50 anos da ONU.

    A ex-presidente Dilma Roussef falando na Assembleia Geral da ONU em 2015

    Crédito, John Moore/Getty Images

    Legenda da foto, A ex-presidente Dilma Roussef falando na Assembleia Geral da ONU em 2015
  7. As tensões e incertezas que envolvem discurso de Lula na ONU

    Lula no plenário da ONU em Nova York em 2025

    Crédito, Bloomberg via Getty Images

    Legenda da foto, Lula no plenário da ONU em Nova York em 2025

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega à Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nesta terça-feira (22/09) em um momento particularmente delicado da relação entre Brasil e Estados Unidos: a duas semanas das eleições brasileiras, com uma disputa comercial ainda sem solução e sob o risco de uma nova rodada de sanções do governo Donald Trump contra autoridades brasileiras.

    Lula também já manifestou preocupação com uma possível interferência americana nas eleições e disse que gostaria de pedir pessoalmente a Trump que não se envolva na disputa brasileira

    A própria possibilidade de uma conversa entre os dois presidentes é cercada de incerteza. Não há reunião bilateral prevista e, segundo informações obtidas pela BBC News Brasil, nenhum dos governos havia apresentado um pedido formal para o encontro. Uma conversa informal, porém, não está descartada: Brasil e Estados Unidos discursam em sequência na abertura do debate geral, o que pode colocar Lula e Trump frente a frente nos corredores da ONU.

    Segundo fontes no Planalto, se o governo sentir que há brecha para uma conversa mais longa, não há óbice para que isso aconteça.

    Já nos bastidores, o governo Lula vem procurando caminhos alternativos para se aproximar do presidente americano, diante do entrave atual nas negociações.

    A avaliação de integrantes do governo brasileiro é de que a interlocução tradicional com o Departamento de Estado, comandado por Marco Rubio, encontra obstáculos políticos, particularmente diante da atuação de aliados de Jair Bolsonaro nos Estados Unidos.

  8. Acompanhe a cobertura ao vivo

    Bom dia! A BBC News Brasil vai acompanhar em tempo real os principais destaques do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (22/09).

    A Assembleia Geral é um dos principais órgãos das Nações Unidas e funciona como um fórum universal para discussões onde todos os Estados-membros têm representação e voto igualitário.

    Todos os anos, eles se reúnem, em setembro, na sede da ONU em Nova York, para debater temas globais de relevância, incluindo paz e segurança, direitos humanos, desenvolvimento sustentável e cooperação internacional.

    Como ocorre tradicionalmente desde 1955, o Brasil será o primeiro país a discursar na abertura do debate geral da ONU.

    Donald Trump, como presidente do país anfitrião, falará logo depois. A disposição da agenda cria a possibilidade de que os dois se encontrem nos corredores do evento, como ocorreu no ano passado.

    Siga os principais acontecimentos nesta cobertura ao vivo. Você também pode assistir aos discursos no canal da BBC News Brasil no Youtube e nas nossas redes sociais.