Teerã ataca bases americanas no Golfo após EUA lançarem nova ofensiva contra o Irã

Explosão e fogo

Crédito, Comando Central dos EUA

    • Author, Harry Sekulich
    • Author, Toby Mann
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  • Tempo de leitura: 3 min

O Irã atacou bases americanas na região do Golfo em resposta à nova ofensiva dos Estados Unidos contra o país, realizada após o presidente Donald Trump afirmar nesta quarta-feira (10/6) que Teerã seria atingida "com força" por levar "tempo demais para fechar um acordo" para encerrar a guerra.

Após a declaração de Trump, o Comando Central dos EUA (Centcom) informou ter concluído, na madrugada de quinta-feira (horário local em Teerã), seu segundo dia consecutivo de "ataques de autodefesa", em "resposta à agressão injustificada e contínua do Irã".

Em retaliação, bases militares americanas no Bahrein e no Kuwait foram atingidas. Elas já haviam sido alvo de ações semelhantes no dia anterior.

Explosões também foram ouvidas em cidades no sul do Irã, próximas ao Estreito de Ormuz, onde as forças americanas haviam atingido sistemas de defesa aérea, radares e outros alvos militares na ofensiva anterior.

A escalada dos confrontos nos últimos dias tem colocado à prova um frágil cessar-fogo firmado entre os dois países em abril.

Em um dos episódios mais recentes dessa escalada, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou ter atingido dois navios petroleiros que cruzavam o Estreito de Ormuz.

A declaração foi feita durante a noite de quarta-feira, depois de a mídia estatal iraniana informar que o Estreito de Ormuz estava "completamente fechado para todos os tipos de embarcação".

O Centcom, no entanto, afirmou que "navios comerciais continuam transitando para dentro e para fora do Estreito de Ormuz".

O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, por onde passa uma parcela significativa do petróleo global.

Os preços do petróleo subiram pouco depois do anúncio do fechamento da rota marítima e do aparente ataque aos navios. O barril do Brent, referência global da commodity, ultrapassou os US$ 95 após avançar cerca de 2% durante as negociações da manhã na Ásia.

Este foi o segundo dia consecutivo de confrontos entre os dois países.

Na terça-feira (9/6) um helicóptero americano foi derrubado sobre o Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos acusaram o Irã de ser responsável pelo ataque e iniciaram bombardeios contra o país.

O IRGC respondeu atacando bases dos EUA em todo o Oriente Médio.

Torre vista em meio a um céu alaranjado

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, A Torre Milad, a mais alta do Irã, com 435 metros de altura, é vista em Teerã sob um céu iluminado após ataques aéreos de terça-feira

Horas antes do ataque desta quarta, Trump havia alertado: "Nós os atingimos com força ontem e vamos atingi-los com força novamente hoje."

Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que líderes iranianos têm "levado tempo demais para negociar um acordo", enquanto o Ministério das Relações Exteriores do Irã acusou os EUA de "prejudicar o processo diplomático com mensagens contraditórias".

Em resposta às declarações de Trump, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian disse que o Irã "permanecerá firme diante de qualquer pressão ou ameaça".

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou posteriormente que bombas iriam "atingir instalações-chave no Irã".

Hegseth disse que o Irã teve uma chance de fechar um acordo, mas não a aproveitou, e que Trump havia dito que o país seria atacado novamente caso não houvesse um acordo de paz.

Em abril, EUA e Irã concordaram com um cessar-fogo que inicialmente deveria durar duas semanas. Desde então, ambos os lados têm trocado ataques esporádicos, sem retornar a hostilidades em grande escala.

No entanto, as recentes tentativas de mediação entre Washington e Teerã estão paralisadas, e os ataques têm se intensificado.

Os esforços diplomáticos entre os dois países vêm sendo marcados por sucessivos impasses, especialmente em torno do programa nuclear iraniano e das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos.

Diplomatas têm alertado que a falta de confiança mútua continua sendo um dos principais obstáculos para qualquer acordo duradouro, enquanto episódios de escalada militar na região reduzem ainda mais o espaço para negociações.

Em uma declaração na rede X, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o Oriente Médio está "sendo puxado cada vez mais para uma crise", e que os recentes ataques significam que "o cessar-fogo é mais um 'quase cessar-fogo'".

"Não devemos minimizar os riscos de um 'quase cessar-fogo' se transformar em uma guerra total. Todas as partes devem trabalhar por um acordo diplomático. Chega de ataques. Chega de desculpas", disse.