Veja as estimativas de intenção de voto no Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil
O que acontece após Flávio Bolsonaro não conseguir registrar candidatura no TSE por estar filiado ao Missão?

Crédito, Reuters
- Author, Mariana Schreiber
- Role, Da BBC News Brasil em Brasília
- Published
- Tempo de leitura: 4 min
O senador Flávio Bolsonaro (PL) não conseguiu registrar nesta quinta-feira (13/8) sua candidatura à Presidência da República porque aparece no sistema da Justiça Eleitoral como se fosse filiado ao partido Missão, legenda criada no ano passado e que tem como candidato presidencial Renan Santos.
O Missão disse que não teve envolvimento na "filiação fradulenta" de Flávio e se colocou à disposição das autoridades, que investigarão o caso.
O ocorrido foi divulgado pela campanha de Flávio para o canal GloboNews. Segundo a advogada da campanha, Maria Claudia Bucchianeri, houve alguma fraude.
"Precisamos entender se foi hacker, uma venda de senha, alguém que entrou no sistema dolosamente, a gente não sabe", afirmou à GloboNews.
Segundo as pesquisas eleitorais, Flávio aparece como candidato mais competitivo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tenta a reeleição.
Ainda segundo Bucchianeri, a fraude foi notada quando a equipe começou a reunir os documentos necessários para protocolar o pedido de registro da candidatura.
O partido já acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que a Corte corrija a filiação e apure o que aconteceu.
"Ele está sem filiação regular agora. O Missão tem candidato. Tem que reestabelecer a filiação original para poder fazer o registro", afirmou ainda a advogada da campanha de Flávio.
A advogada Maria Claudia Bucchianeri contou também que possui uma certidão da filiação de Flávio ao PL, emitida às 23h17 de quarta-feira (12/8), o que significa que a alteração ocorreu depois disso.
'Justiça Eleitoral tem que melhorar sua segurança'
Fim do Promoção Agregador de pesquisas
O TSE afirmou, em nota, que a investigação já está em andamento. "A filiação de Flávio Bolsonaro ao partido Missão não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária, mas sim de uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credenciais da legenda para efetivar filiações."
O TSE informou ainda que seu presidente, o ministro Kassio Nunes Marques, enviou uma representação à Procuradoria-Geral Eleitoral para providências.
Ele também determinou instauração de inquérito por parte da Polícia Judiciária", disse a Corte.
"O Partido Liberal protocolou pedido de desfiliação [de Flávio] do Missão, que já está sob análise", concluiu a Corte.
O prazo para os partidos registrarem seus candidatos vai até 19h de sábado (15/8).
À BBC News Brasil, o advogado eleitoral Alberto Rollo explicou que cada partido possui uma senha para acessar o sistema e registrar filiações. Na sua avaliação, parece ter havido algum uso indevido dessas senhas.
"Esse episódio de suposta desfiliação do Flávio Bolsonaro e filiação a um novo partido, evidentemente, é uma fraude. A Justiça Eleitoral tem que, de alguma maneira, trabalhar melhor a segurança desse sistema".
"O Flávio não pode ser candidato do PL sendo filiado a um outro partido. Tem que corrigir imediatamente. O próprio TSE pode fazer isso e depois investigar de onde partiu a fraude", disse ainda.
Missão diz que foi vítima de filiação fraudulenta
Em nota, o Missão afirmou que "foi vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro".
"Nosso sistema, ao notar a fraude, tentou realizar no mesmo dia o cancelamento da filiação, ação que foi rejeitada pelo TSE", afirmou a legenda.
"O Partido Missão reafirma que não compactua com filiações de natureza fraudulenta e repudia veementemente episódios dessa natureza. Colocamo-nos à disposição das autoridades competentes para a completa apuração dos fatos", completou a legenda.
Ainda segundo o partido, o gabinete do senador Flávio Bolsonaro foi informado da tentativa de filiação em 2 de agosto: "Consta em nosso sistema que os e-mails enviados foram abertos, mas não foram respondidos".
"A Missão já está adotando todas as providências cabíveis junto à Polícia Federal e ao TSE, a fim de que os responsáveis pelo crime sejam identificados e exemplarmente punidos. Um relatório com todos os logs, e-mails e IPs será disponibilizado para a imprensa e autoridades."
"Não é do interesse do partido acolher em seus quadros um parlamentar que, para além do desalinhamento ideológico, figura em acusações e suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção", conclui a nota.




























