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Viagens internacionais e jatinho de Vorcaro: os vínculos de Flávio Bolsonaro com Willer Tomaz, alvo da PF no escândalo do INSS

Crédito, EPA/Shutterstock
- Author, Mariana Schreiber
- Role, Da BBC News Brasil em Brasília
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- Tempo de leitura: 6 min
Após os primeiros impactos do caso Dark Horse, que aproximou o candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL) ao escândalo do Banco Master, sua campanha enfrenta outra fonte de desgaste a menos de duas semanas do primeiro turno das eleições.
O foco das notícias negativas é sua amizade com o advogado Willer Tomaz, alvo de uma operação da Polícia Federal no início de agosto, dentro das investigações que apuram fraudes bilionárias no pagamento de benefícios do INSS.
O objetivo da operação era apurar um esquema de lavagem de dinheiro que teria beneficiado o senador Weverton Rocha (PDT-MA), com suposta participação de Tomaz. Segundo a PF, a esposa do senador, Samya Rocha, teria recebido mais de R$ 11 milhões de empresas relacionadas ao advogado.
Nos últimos dias, diferentes veículos revelaram mais detalhes dos vínculos entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro.
Segundo reportagem do jornal O Globo de 18 de setembro, ambos fizeram cinco viagens internacionais juntos entre janeiro e maio de 2025, para destinos como Estados Unidos, África do Sul e Europa. Procurado, o senador não respondeu sobre quem custeou as viagens.
Já nesta quarta-feira (23/9), a revista Piauí revelou detalhes sobre uma dessas viagens. Segundo a publicação, o candidato do PL viajou com sua família da Flórida (EUA) a Brasília em janeiro do ano passado em um jatinho que pertencia a Willer Tomaz em sociedade com uma empresa de Daniel Vorcaro, banqueiro que está preso acusado de fraudes bilionárias no Banco Master. O advogado também estava no voo.
A revista informou ainda que se trata do mesmo jato executivo de alto padrão, de prefixo PP-NLR, que transportou o ministro do STF Alexandre de Moraes em agosto do mesmo ano. Na ocasião, o escritório da esposa dele, Viviane Barci, tinha um contrato com o Banco Master que lhe dava acesso a aeronaves do banqueiro.
Flávio Bolsonaro se manifestou sobre as revelações em um post na rede social X de forma curta e irônica. "Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes".
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Já Willer Tomaz negou que Vorcaro tenha relação com a viagem de janeiro, em nota enviada à BBC News Brasil. O advogado diz que arcou com todos os custos do voo e não sabia que o banqueiro era sócio na aeronave.
"O voo de janeiro de 2025 não tem — e nunca teve — qualquer relação com Daniel Vorcaro. A aeronave não era dele. Pertence à Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., dividida em três cotas iguais, uma delas de empresa de Willer Tomaz desde 2023".
"Aquele trecho foi solicitado, escalado e integralmente custeado por Willer Tomaz, debitado das horas da sua cota. Vorcaro não pagou, não cedeu, não autorizou e não participou daquele voo — nem direta, nem indiretamente. Quem viajou o fez como convidado de Willer Tomaz: carona entre amigos, sem custo, contrapartida ou benefício de parte a parte".
O advogado diz ainda, na nota, que não conhece Vorcaro nem tem negócios dele.
"A venda da cota de terceiro à Prime You ocorreu sem o conhecimento e sem a anuência de Willer Tomaz. Ao tomar ciência, em abril de 2026, denunciou o contrato e está desde então em litígio com a Prime You. Atribuir aquele voo a Daniel Vorcaro é falso".
O advogado também nega ser investigado por irregularidades no INSS. "A apuração diz respeito tão somente à propriedade de um imóvel. A hipótese da investigação é de que o imóvel pertenceria a um parlamentar", diz a nota.
Procurado pela BBC News Brasil por meio de sua assessoria de imprensa, Flávio Bolsonaro não se manifestou até a publicação dessa reportagem.
Já ao jornal O Globo, ele também negou saber que a aeronave usada em janeiro também pertencia a Vorcaro.
"Na época, o avião era do Willer, eu tive zero contato com Vorcaro. Fizemos uma viagem em família, mais nada. O avião era dele. Não sabia da cota da empresa (Prime You). Para mim, o avião era do Willer. Qualquer coisa além disso é distorção da realidade".
Na semana anterior, ele também disse ao jornal manter "relação de amizade" com Willer "legítima" e que "qualquer tentativa de insinuar irregularidade a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos".
O candidato não respondeu se as cinco viagens internacionais realizadas entre janeiro e maio de 2025 foram todas bancadas pelo advogado.

Crédito, Agência Senado
Segundo a revista Piauí, um apartamento também ligaria Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz e o Banco Master.
De acordo com reportagem, o senador teria usado como base para sua campanha em São Paulo um imóvel emprestado pelo advogado. Esse apartamento, diz a revista, foi comprado por Willer Tomaz de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro que também está preso, acusado de ser operador financeiro das fraudes bancárias.
A reportagem diz que a transação ocorreu em 10 de fevereiro de 2026, quando o amigo de Flávio pagou R$ 3,5 milhões pelo imóvel, R$ 2 milhões a menos do que Zettel desembolsou ao comprar o apartamento em abril do ano anterior.
A revista diz que entrevistou moradores do edifício, que confirmaram a presença do senador e de sua equipe no local. Procurado pela revista, porém, Flávio disse que se hospedou em hotéis na região e não respondeu sobre que uso foi feito do imóvel.
Já Willer Tomaz enviou uma nota à Piauí afirmando não conhecer Fabiano Zettel nem Daniel Vorcaro, e que jamais teve qualquer "relação pessoal, comercial ou societária" com os dois.

Crédito, Reprodução
Relembre o caso Dark Horse
Para além do uso consciente ou não de um avião de Vorcaro, Flávio Bolsonaro realizou negociações diretas com o banqueiro em 2025 em torno do financiamento do filme Dark Horse, em homenagem a seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso foi revelado em maio pelo portal Intercept Brasil.
Flávio é investigado formalmente desde julho por suposta lavagem de dinheiro, corrupção e outros possíveis crimes no financiamento do filme junto ao Banco Master. Segundo a Polícia Federal, o contrato previa um repasse de US$ 24 milhões para a obra (na época equivalentes a cerca de R$ 134 milhões), dos quais cerca de metade foi pago.
O relatório da PF que embasou o pedido de investigação contra o senador destaca o descompasso entre os valores de Dark Horse e aqueles observados no mercado audiovisual brasileiro. "Embora não caracterize por si só qualquer ilícito penal, reforça a necessidade de aprofundamento da investigação acerca da efetiva destinação dos recursos e da compatibilidade econômica da operação financeira identificada", diz o documento.
Os contatos entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro para a liberação dos valores ocorreram quando Vorcaro já estava no radar da PF, ao longo de 2025, e mesmo após sua primeira prisão, em 17 de novembro. Ambos se reuniram ainda no final daquele mês, quando o banqueiro estava em prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica.
O senador nega qualquer irregularidade sobre o financiamento do filme sobre seu pai e insiste que se trata apenas de um patrocínio privado para uma obra privada, sem uso do dinheiro público.
Em sabatina ao Jornal Nacional, porém, ele foi cobrado sobre a falta de detalhamento sobre os recursos obtidos e como eles foram gastos. O caso Dark Horse
As investigações apontam que o equivalente a mais de R$ 60 milhões chegaram a ser liberados para a obra, mas, até o momento, a produtora do filme não detalhou e comprovou a utilização dos recursos.
Pressionado pelo Jornal Nacional a apresentar o contrato para o patrocínio e uma planilha detalhada sobre o uso dos recursos no filme, o candidato do PL insistiu que já prestou os esclarecimentos e que se trata de um financiamento privado para realização de uma "obra de arte".
"Eu não fui buscar dinheiro em recursos públicos, e esse foi um patrocínio, na verdade, que não tem nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro. É um patrocínio para um filme privado sobre o meu pai".




























