O que a história revela sobre as seleções que já conquistaram a Copa do Mundo

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- Author, Fernando Duarte
- Role, BBC World Service
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As tentativas de prever o resultado da Copa do Mundo evoluíram muito ao longo do tempo. Hoje, supercomputadores disputam espaço com casas de apostas, torcedores bem informados e até supostos videntes na tarefa de apontar a futura campeã.
Mas até mesmo o analista financeiro alemão Joachim Klement, que ficou conhecido por acertar as vencedoras das últimas três edições do Mundial, acredita que, entre as principais seleções, muito depende do acaso.
Segundo ele, fatores como o desempenho de uma equipe em um determinado dia, uma decisão da arbitragem ou a sorte de uma bola entrar em vez de bater na trave "são completamente imprevisíveis", afirmou à BBC Sport.
Ainda assim, se a história servir de referência, há alguns fatores que as seleções que sonham com o título talvez devam levar em consideração — e alguns deles são bastante surpreendentes.
Um seleto grupo de campeãs
Das 84 seleções que já disputaram a maior competição do futebol mundial, apenas oito conseguiram erguer a taça: Alemanha, Argentina, Brasil, Espanha, França, Inglaterra, Itália e Uruguai.
Somente 13 países chegaram a uma final de Copa do Mundo — e alguns deles com grande frequência. A Alemanha disputou oito finais, seguida pelo Brasil, com sete, e por Argentina e Itália, com seis cada.
Entrar para esse seleto grupo não é tarefa fácil. A integrante mais recente da lista é a Espanha, que conquistou seu primeiro título em 2010.
E vale uma menção especial à Holanda, que chegou a três finais, mas nunca venceu a competição — embora, segundo o analista financeiro Joachim Klement, seja uma das favoritas para finalmente levantar a taça em 2026.
Outro dado curioso é que, em toda a história da Copa do Mundo, apenas duas seleções da África ou da Ásia alcançaram as semifinais: a Coreia do Sul, em 2002, e Marrocos, em 2022.
A geografia faz diferença

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Fim do Promoção Agregador de pesquisas
Desde a primeira Copa do Mundo da Fifa, disputada no Uruguai em 1930, até a edição mais recente, realizada no Catar em 2022, foi relativamente raro uma seleção conquistar o título fora do seu próprio continente.
Isso aconteceu apenas seis vezes em 22 edições do torneio — com o Brasil (1958, 1994 e 2002), a Espanha (2010), a Alemanha (2014) e a Argentina (2022).
Considerando apenas as Copas realizadas na Europa ou na América do Sul, essa "regra geográfica" foi quebrada somente duas vezes em 19 torneios.
Há várias explicações possíveis para esse fenômeno. As seleções podem ter melhor desempenho em seu próprio continente por estarem mais adaptadas ao clima, sofrerem menos com o desgaste das viagens e contarem com uma presença maior de torcedores. Não por acaso, seis Copas do Mundo foram vencidas pelo país anfitrião.
Essa tendência também costuma aparecer nas fases anteriores da competição.
Na Copa de 2014, no Brasil, por exemplo, sete seleções latino-americanas chegaram às oitavas de final, contra seis europeias — isso apesar de a Europa, como de costume, ter classificado mais equipes para o torneio do que qualquer outro continente.
Quatro anos depois, na Rússia, as seleções europeias conquistaram 10 das 16 vagas nas oitavas de final, enquanto a América Latina teve apenas cinco representantes. Além disso, os quatro semifinalistas daquela edição eram europeus.
A Copa do Mundo de 2026, no entanto, promete inaugurar um novo cenário. Será a primeira organizada por três países — Estados Unidos, Canadá e México — e contará com 48 seleções, em vez das tradicionais 32.
Quatro equipes também farão sua estreia no torneio: Curaçao, Cabo Verde, Jordânia e Uzbequistão. Talvez a competição seja capaz de desafiar as tendências históricas.
O ranking da Fifa dá azar?
Seria razoável esperar que a seleção com melhor desempenho recente fosse também uma das favoritas ao título da Copa do Mundo, mas esse está longe de ser um indicador infalível de sucesso.
Criado em 1992, o ranking da Fifa é usado para definir os cabeças de chave e evitar confrontos precoces entre as principais favoritas do campeonato.
A classificação leva em conta os resultados de partidas reconhecidas pela entidade, incluindo amistosos, e funciona como um indicador do desempenho das seleções, de forma semelhante ao que ocorre em esportes como o tênis.
Os campeões mundiais quase sempre estão entre as 10 ou 15 melhores equipes do ranking. No entanto, há uma curiosidade histórica: nenhuma seleção que ocupava o primeiro lugar no ranking da Fifa no início de uma Copa do Mundo jamais conquistou o título.
Às vésperas do Mundial de 2026, essa estatística pode representar um mau presságio para a Argentina, atual líder do ranking.
A classificação oficial será atualizada em 11 de junho, dia da abertura da Copa do Mundo de 2026, após a disputa de uma série de amistosos preparatórios pelas seleções.
Defender o título é uma missão difícil

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Há seleções com múltiplos títulos mundiais — Brasil, Alemanha, Itália e Argentina somam, juntas, 16 conquistas. Mas defender a taça é uma tarefa difícil.
Em toda a história da Copa do Mundo, apenas dois países conseguiram ser campeões em edições consecutivas: a Itália, em 1934 e 1938, e o Brasil, em 1958 e 1962.
Depois da glória, o tropeço

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Na verdade, nas últimas décadas, a Copa do Mundo tem sido especialmente cruel com as seleções que chegam ao campeonato como atuais campeãs.
Desde 2002, quatro dos seis detentores do título sequer conseguiram passar da fase de grupos. As exceções foram o Brasil, campeão em 2002 e eliminado nas quartas de final em 2006, e a França, vencedora em 2018 e vice-campeã em 2022.
Técnicos estrangeiros até hoje não deram certo

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Contratar técnicos estrangeiros não é uma novidade na Copa do Mundo, embora o número de seleções que recorrem a profissionais de outros países tenha aumentado nas últimas três décadas.
Em 2026, isso será um recorde: 27 das 48 equipes participantes serão comandadas por treinadores estrangeiros.
Entre elas estão duas campeãs mundiais. O Brasil será dirigido pelo italiano Carlo Ancelotti, enquanto a Inglaterra terá no comando o alemão Thomas Tuchel.
O problema é que, até hoje, nenhuma seleção treinada por um técnico estrangeiro conseguiu conquistar a Copa do Mundo.
O curioso fator Bayern de Munique–Inter de Milão

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Esta talvez seja uma das estatísticas mais curiosas da história da Copa do Mundo: nas últimas 11 edições do torneio, pelo menos uma das seleções finalistas contou com algum jogador do Bayern de Munique, da Inter de Milão ou jogadores de ambos os clubes.
Desde 1982, apenas em duas ocasiões (1986 e 2010) uma seleção sem nenhum representante de um desses dois times conseguiu conquistar o título mundial.
De acordo com as listas oficiais de jogadores divulgadas pela Fifa, 15 das 48 seleções que disputarão a Copa do Mundo de 2026 terão pelo menos um atleta do Bayern de Munique ou da Inter de Milão — ou dos dois.
Entre elas estão potências como Alemanha, França, Inglaterra e a atual campeã, Argentina.




























